A conta que volta: advogado reabre cobrança por “serviço” que derrubou vereador a pedido do prefeito de Aragarças.

DA REDAÇÃO

Uma história que parecia encerrada voltou ao noticiário.

No dia 2 de outubro de 2025, a manchete do Site Mais Araguaia estampava:
“Prefeito de Aragarças é alvo de ação de cobrança após denúncias contra vereador.”
Poucos dias depois, a ação foi retirada do Judiciário, dando a entender que o episódio havia sido superado.

Mas não foi bem assim.

Para surpresa da população aragarcense, uma nova Ação de Cobrança, do mesmo autor, com o mesmo objeto e praticamente os mesmos réus, foi protocolada em 18 de janeiro de 2026, no Juizado Especial Cível da Comarca de Aragarças (GO).

O detalhe que chama atenção; o autor da ação é o advogado Paulielio Ataides que teria prestado o serviço jurídico que resultou na cassação do então vereador Rones Kley, em 2022, a pedido do prefeito de Aragarças, Ricardo Galvão.

O Site Mais Araguaia teve acesso à íntegra do processo, registrado sob o número:
5036087-88.2026.8.09.0014

Segundo a petição, o advogado Paulielio Ataides relata que foi procurado em julho de 2022 pelo então prefeito Ricardo Galvão para realizar denúncias contra o vereador Rones Kley, denúncias essas que teriam resultado inclusive na prisão do parlamentar.

Após a negociação de valores e contratos, o prefeito teria transferido a responsabilidade dos pagamentos para Cailey Freitas, apontado como responsável pelas finanças do grupo para esse tipo de operação.

O advogado Paulielio Ataides também afirma que, para viabilizar a denúncia, Cailey se comprometeu a providenciar a assinatura de um eleitor; parente seu; residente em Portugal, além de garantir o pagamento combinado. Já o prefeito teria assegurado a formalização de contratos e, em período de reeleição, prometido um pagamento mensal de R$ 5.000,00, o que, segundo o autor, jamais foi cumprido.

De acordo com a ação, passados mais de três anos, o único valor efetivamente pago teria sido R$ 1.000,00, restando um saldo de R$ 9.000,00, além dos valores contratuais não quitados.

O autor afirma que diversas cobranças foram feitas por mensagens, com reconhecimento da dívida, mas sem que o pagamento fosse regularizado; apesar de o “serviço” ter sido executado e o vereador ter sido cassado.

Na segunda investida judicial, o advogado requer a citação dos réus, Ricardo Galvão e Cailey Freitas, para apresentação de defesa; condenação ao pagamento de R$ 19.173,42, valor atualizado do débito e pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 3.834,68.

O que causa estranheza não é apenas o teor da cobrança, mas o fato de se tratar de uma segunda ação praticamente idêntica à anterior, retirada meses atrás, agora reapresentada como se nada tivesse ocorrido.

Em outras palavras: a fatura do “serviço político-jurídico” aparentemente não foi paga; mas insiste em reaparecer no balcão da Justiça.

Resta saber se, desta vez, a conta será finalmente quitada ou se o episódio seguirá rendendo novos capítulos, constrangimentos e questionamentos sobre os bastidores nada republicanos da política aragarcense.

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