DA REDAÇÃO
Quando pessoas com conhecimento de causa entram no debate sobre a mudança do local do aterro sanitário em Pontal do Araguaia (MT), a narrativa muda de figura e o silêncio dá lugar a questionamentos técnicos, jurídicos e ambientais difíceis de ignorar.

A reunião pública aconteceu na noite de quinta-feira, 16 de abril de 2026, no Ginásio Municipal de Pontal do Araguaia, reunindo representantes da empresa responsável pelo empreendimento, produtores rurais do entorno da área escolhida, além de membros da comunidade interessados no futuro ambiental do município.
De um lado, a empresa que pretende construir o aterro sanitário, defendendo a viabilidade do projeto e o modelo de operação que prevê cobrança das dez prefeituras pelo recebimento de 100 toneladas de lixo, diariamente, argumentando que a estrutura atenderá à necessidade regional de destinação adequada de resíduos sólidos.

Do outro, os produtores rurais do entorno do empreendimento, que apresentaram preocupações sobre possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos, questionando a escolha do local e alertando para riscos relacionados a nascentes, qualidade do solo, produção rural e bem-estar das famílias que vivem na região.
O ponto sensível do debate é que essa reunião pública deveria ter ocorrido ainda em 2022, com a participação de órgãos ambientais, Prefeitura, Câmara de Vereadores, sociedade civil organizada, produtores rurais e população pontalense, garantindo transparência e amplo diálogo antes do avanço do projeto.
A mobilização ganhou força após Ação Popular movida pelos produtores rurais, reforçando que decisões que envolvem recursos naturais e qualidade de vida exigem responsabilidade técnica e participação social efetiva.
Agora, o futuro do aterro sanitário está nas mãos da SEMA-MT e do Poder Judiciário, que deverão avaliar os argumentos apresentados e decidir qual caminho será seguido.
Mais do que discutir a destinação do lixo, o que está em jogo é qual modelo de desenvolvimento ambiental Pontal do Araguaia pretende adotar; conciliando gestão de resíduos sólidos com transparência, segurança ambiental e respeito à população.