Rio Araguaia: estudo identifica trechos críticos de poluição em cidades turísticas de Goiás.

Em Goiás, o levantamento foi realizado em Aragarças, Aruanã, Baliza, Britânia, Montes Claros de Goiás, Nova Crixás, Santa Rita do Araguaia e São Miguel do Araguaia.

O Rio Araguaia, um dos maiores símbolos ambientais e turísticos do país, está sob alerta. Um estudo recente da Universidade Estadual de Goiás (UEG) mapeou a qualidade da água em pontos estratégicos e acendeu o sinal amarelo para a poluição em trechos próximos a importantes polos de veraneio, como Aruanã na região noroeste de Goiás, e Araguarças e Britânia na região oeste do estado.

Ao POPULAR, a professora e pesquisadora Joana D’arc Castro destacou como foi realizada a pesquisa. Segundo a professora, o processo de análise durou em torno de 2 anos e foi um método de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq).

Percorremos todo o rio, desde o Mato Grosso até o finalzinho do Tocantins. E isso deu por volta de 26.677 km dentro do Tocantins e dentro de Goiás, 24.671 km. A pesquisa de campo com busca de água demorou três meses e meio, explicou Joana D’arc.

Ela destacou que a ideia era descobrir como estão as condições de saúde dessas cidades. ‘Descobrimos que a pior cidade em condições de saúde, e em condições críticas, é Nova Crixaz e São Dolândia. E as melhores são Miguel do Araguaia e Esperantina’, ressaltou a pesquisadora.

De acordo com a pesquisa, ao longo do Rio Araguaia, indica-se que moradores de municípios ribeirinhos reconhecem a importância ambiental do rio e estão dispostos a contribuir financeiramente para sua conservação. O estudo estimou uma Disposição a Pagar (DAP) média de R$ 40,41 por pessoa ao mês, o que poderia representar mais de R$ 64 milhões por ano em recursos destinados a ações de conservação ambiental na região.

Segundo o levantamento feito pela universidade, apesar de o rio manter uma capacidade notável de autodepuração devido ao seu grande volume de água e fluxo contínuo, a pressão antrópica, causada pela atividade humana, está deixando marcas visíveis.

Em Goiás, o levantamento foi realizado em Aragarças, Aruanã, Baliza, Britânia, Montes Claros de Goiás, Nova Crixás, Santa Rita do Araguaia e São Miguel do Araguaia. No Tocantins, foram incluídos Araguacema, Araguanã, Araguatins, Caseara, Couto de Magalhães, Esperantina, Lagoa da Confusão, Pau-d’Arco, Sandolândia e Xambioá.

O município de São Miguel do Araguaia, na região norte, apresentou níveis muito baixos ou ausência de poluentes na maioria dos parâmetros analisados. Outros pontos isolados ao longo do rio também demonstraram boas condições ambientais, associadas à menor interferência humana.

Os pontos mais críticos foram identificados em Lagoa da Confusão (TO), com altos níveis de substâncias associadas ao uso de fertilizantes, esgoto doméstico e detergentes; Sandolândia (TO), com elevada concentração de metais e acúmulo de matéria orgânica; Aruanã (GO), sob intensa pressão turística; e Aragarças (GO) e Britânia (GO), com índices elevados de detergentes, indicativos de despejo de esgoto e impactos do turismo.

A pesquisa realizada por docentes e estudantes coletou amostras em 34 pontos do Araguaia, analisadas a partir de critérios físico-químicos. Os dados revelam um cenário heterogêneo: enquanto alguns trechos permanecem bem preservados, outros apresentam níveis preocupantes de poluição, especialmente em áreas com forte pressão turística, crescimento urbano acelerado e agricultura intensiva.

O estudo ainda alerta para a expansão da produção de soja e da agropecuária em municípios que não contam com infraestrutura adequada.

Por:Sarah Gandra – O Popular
Fotos: Bruno Ramos/Divulgação Secima

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